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Onde

Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameia, 
Com temerários ímpetos de fera,
A face da existência,
Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espera!...

Onde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
A ninguém desanimes...
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça, 
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus a Infinita Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor

(Maria Dolores, psicografia Francisco C. Xavier: Antologia da Espiritualidade,1971)

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